Infartos periprocedimiento em angioplastia vs. em cirurgia do tronco da coronária esquerda

Segundo o estudo EXCEL os infartos periprocedimento foram mais comuns após a cirurgia do tronco da coronária esquerda em comparação com a angioplastia, o que se associou de maneira contundente com um aumento da mortalidade após 3 anos depois do controle de todos os possíveis elementos de confusão. Este aumento da mortalidade foi observado somente nos infartos grandes com aumento da CK-MB ≥ 10.

Aparentemente o EXCEL quer competir no número de subestudos com o SYNTAX. Todos os meses vemos a publicação de algum trabalho novo que surge a partir da experimentação com os dados do EXCEL.

Neste trabalho em particular examinou-se a taxa de mortalidade após 3 anos dos pacientes que apresentaram ou não um infarto periprocedimento no contexto da revascularização do tronco da coronária esquerda randomizados a angioplastia com o stent eluidor de everolimus ou a cirurgia deste grande estudo multicêntrico, prospectivo e randomizado que foi o EXCEL.

Por protocolo especificaram-se critérios idênticos para definir infarto periprocedimento para ambas as estratégias de tratamento: uma elevação da CK-MB > 10 acima do limite superior dentro das 72 horas do procedimento, ou > 5 com novas ondas Q, oclusão de um vaso por angiografia ou perda de massa miocárdica em um estudo de imagens.


Leia também: Alta no dia seguinte pós-TAVI: a segurança é a mesma para todas as válvulas?


Em total foram incluídos 1.858 pacientes, dentre os quais 34 dos 935 que receberam angioplastias (3,6%) cumpriram critérios de infarto periprocedimento. Para o braço cirúrgico esta proporção foi ide de 56/923 (6,1%) (odds ratio 0,61, IC 95% 0,40–0,93; p = 0,02).

Os infartos periprocedimento se associaram à complexidade anatômica (SYNTAX score), doença pulmonar obstrutiva crônica, tempo de clamping e tempo total do procedimento e o fato de não utilizar a cardioplegia anterógrada.

Os infartos periprocedimiento quase triplicaram a mortalidade após 3 anos (HR: 2,63, IC 95% 1,19–5,81; p = 0,02). Este efeito foi consistente para ambas as estratégias de revascularização.


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O critério de uma CK-MB pico ≥ 10 se associou claramente à mortalidade ao passo que os graus mais leves não mudaram o prognóstico.

Conclusão

No estudo EXCEL, os infartos periprocedimento foram mais comuns após a cirurgia que após a angioplastia para tratar o tronco da coronária esquerda, o que se associou claramente a um aumento da mortalidade após 3 anos. Somente em um infarto extenso (CK-MB ≥ 10) foi constatado impacto prognóstico.

Título original: Impact of large periprocedural myocardial infarction on mortality after percutaneous coronary intervention and coronary artery bypass grafting for leftmain disease: an analysis from the EXCEL trial.

Referência: Ori Ben-Yehuda et al. European Heart Journal (2019) 0, 1–12.


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