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O sucesso nas CTO reduz a isquemia residual local e à distância

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

A presença da Oclusão Total Crônica (CTO) é de cerca de 30%, tomando-se como limiar isquêmico entre 10% e 12,5% para justificar sua recanalização. Utilizando os novos dispositivos, fios-guias e a maior experiência dos operadores, o sucesso no tratamento das CTO é de entre 10% e 30% dos casos.

O sucesso nas CTO reduz a isquemia residual local e à distância

Em inúmeras ocasiões não se tenta tratá-las devido ao fato de haver dúvida sobre seu verdadeiro benefício. Assim sendo, não há uma opinião categórica sobre qual é a indicação adequada para estes pacientes.

 

O presente estudo prospectivo incluiu 69 pacientes que foram submetidos a uma angioplastia coronariana (ATC) bem-sucedida de uma CTO. Os indivíduos receberam pré-procedimento e RMN com gadolínio 12 semanas após o procedimento. Além disso, os pacientes foram submetidos a uma tomografia com emissão de pósitrons (PET) para avaliar, por um lado, o fluxo miocárdico absoluto (FMA) em repouso e com esforço, e por outro lado, a recuperação da função ventricular.

 

A idade média foi de 63 anos (a maioria dos pacientes se compôs de homens); BMI 27,5 km/m2; HTA 34 pacientes; DLP 28; DBT 11; DLP 28; TBQ 22. A apresentação clínica foi: angina crônica estável 41, dispneia 16 e isquemia silente 12.


Leia também: “As angioplastias bem-sucedidas em pacientes idosos com oclusões totais crônicas diminuem a mortalidade”.


Em 59 pacientes fez-se uma ATC sobre a CTO de modo exclusivo e nos 10 restantes a ATC foi associada a outro vaso (a lesão não foi CTO).

 

Na tomografia com emissão de pósitrons após a ATC observou-se um incremento, sobretudo se comparado ao basal, local e remoto do estresse do FMA (1,22 ± 0,36 a 2,40 ± 0,90 mL.min-1.g-1 p < 0,001 e 2,58 ± 0,68 a 2,77 ± 0,77 mL.min-1.g-1 p = 0,01).

 

Houve um incremento da relação entre o FMA na CTO e a área remota entre o basal e em 12 semanas (0,49 ± 0,13 vs. 0,87 ± 0,24 p < 0,001), havendo ademais uma redução no tamanho do defeito da área da CTO após o procedimento (5,12 ± 1,69 a 1,91 ± 1,75 p < 0,01).


Leia também: “É útil o acesso radial nas oclusões totais crônicas?”.


Houve um incremento significativo da fração de ejeção no seguimento (46,4 ± 11 vs. 47,5 ± 11,4 p = 0,01).

 

Conclusão

A grande maioria dos pacientes que tinham uma oclusão total crônica com isquemia e viabilidade documentada mostram uma melhora significativa do stress do FMA e uma redução da isquemia após uma ATC bem-sucedida com mínimo efeito sobre a fração de ejeção.

 

Comentário

Nesta análise a ATC bem-sucedida de uma oclusão total crônica nos pacientes estáveis melhora a perfusão com uma mínima melhora na função ventricular.

 

É difícil analisar se os eventos duros como a mortalidade ou o IAM diminuem, dado que estamos diante de pacientes estáveis. São necessários muitos anos de seguimento para saber qual é o verdadeiro benefício já que possivelmente haja muitos fatores contraditórios.

 

O mais importante é saber se melhoramos sua qualidade de vida. Se conseguirmos diminuir a necessidade de tratamento farmacológico e a quantidade de internações, estaremos reduzindo também os gastos no sistema de saúde.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

 

Título Original: Effect of successful percutaneous coronary intervention of chronic total occlusion on myocardial perfusion and left ventricular function.

Referência: Wijnand J. Stuijfzand et al. EuroIntervention 2017;13:345-354.


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