Doença coronariana sem sintomas, a isquemia silente é a dor de cabeça dos cardiologistas

Necessitamos mais evidências que nos guiem no tratamento da isquemia silenciosa. A doença coronariana demonstrada, mas em ausência de sintomas objetiváveis é um problema para os cardiologistas, já que nestes casos os mesmos não contam com a suficiente evidência que oriente no corte do risco/benefício que justifique a revascularização. Revascularizar o resultado de um estudo funcional poderia diminuir a morte e o infarto, embora também possa ser somente um ansiolítico para o paciente e para o médico de cabeceira (isso sem considerar os riscos inerentes ao procedimento).

La enfermedad coronaria funciona como un predictor a 30 días en el TAVIDe acordo com este novo estudo recentemente publicado no J Am Coll Cardiol Intev, o tratamento de pacientes assintomáticos com cardiopatia isquêmica estável varia consideravelmente nos diferentes centros, o que indica a necessidade de estudos randomizados que nos orientem em relação à estratégia a adotar nesta população especial.

 

Em termos globais, a revascularização com cirurgia ou angioplastia foi apenas um pouco mais frequente que o tratamento médico unicamente. Entretanto, observou-se mais do dobro de diferença no que se refere à estratégia, segundo os diferentes centros.


Leia também: COMBO stent: sirolimus por fora e anti-CD34 por dentro: será este o futuro?


Além desta grande dispersão, observou-se uma relação consistente entre o uso de revascularização e menor risco de mortalidade (HR 0,81; IC 95% 0,69-0,96) e de infarto (HR 0,58; IC 95% 0,46-0,73).

 

Estes achados só geraram hipóteses devido à falta de evidência randomizada, que dada a baixa taxa de eventos nesta população deveria ter um número enorme de pacientes e um seguimento prolongado. Todos estes pontos fazem com que a evidência demore a vir à luz.

 

O estudo ISCHEMIA (cuja publicação é esperada para fins deste ano ou princípios de 2020) vai contribuir com alguns dados sobre como tratar estes pacientes assintomáticos.


Leia também: A denervação pulmonar começa a mostrar resultados.


Enquanto isso, a sugestão de que a revascularização reduz o risco de morte ou infarto agudo do miocárdio nesta população deve ser interpretada com precaução devido aos múltiplos fatores de confusão que podem estar presentes neste trabalho.

 

Os estudos mais importantes que compararam o tratamento conservador com a revascularização (sem importar o método utilizado) como o COURAGE ou o BARI 2D incluíram muito poucos pacientes assintomáticos, o que nos dificulta chegar a conclusões categóricas.

 

Embora a revascularização em pacientes assintomáticos que têm extensos territórios isquêmicos ou anatomias de alto risco possa ser considerada apropriada, para o resto dos pacientes restam apenas especulações.

 

Título original: Variation in revascularization practice and outcomes in asymptomatic stable ischemic heart disease.

Referência: Czarnecki A et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2019; Epub ahead of print.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

ACC 2026 | DKCRUSH VIII: IVUS ou angiografia para guiar a PCI em bifurcações coronarianas complexas

Guiar os procedimentos através de imagens intracoronarianas consolidou-se como uma estratégia recomendada em lesões coronarianas complexas. No cenário específico das bifurcações complexas, ainda persistia...

ACC 2026 | OPTIMAL: IVUS como guia na PCI do tronco da coronária esquerda não protegido

A angioplastia coronariana (PCI) é considerada uma alternativa equivalente à cirurgia de revascularização em pacientes com estenose do tronco da coronária esquerda (TCE) e...

ACC 2026 | Estudo IVUS-CHIP: angioplastia complexa guiada por ultrassom intravascular versus angiografia

A otimização da angioplastia coronariana (ATC) em lesões complexas continua sendo um desafio clínico relevante. Em tal contexto, o estudo IVUS-CHIP foi desenhado para...

ACC 2026 | Estudo PRO-TAVI: Diferir a angioplastia coronariana em pacientes submetidos a TAVI

A doença coronariana é frequente em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI. As atuais diretrizes recomendam considerar a revascularização em lesões coronarianas...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Espaço do Fellow – Caso 1: Oclusão Total Crônica Tratada por Via Retrógrada. Um Verdadeiro Desafio!

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Apresentamos o primeiro caso desta nova edição do Rincón del Fellow, um espaço acadêmico e colaborativo...

Manejo da trombose valvar em TAVI: enfoque atual baseado em evidência

A expansão do implante transcateter da valva aórtica (TAVI) em populações mais jovens e de menor risco colocou em primeiro plano a trombose da...

Experiência com a válvula intra-anular autoexpansível Navitor: dados do registro STS/ACC TVT

A expansão do TAVI, com a introdução de dispositivos de nova geração, tem priorizado não só a segurança periprocedimento mas também a preservação do...