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A reparação da valva mitral com MitraClip demonstrou ser factível e segura

A reparação percutânea da valva mitral (TMVR) com o dispositivo MitraClip demonstrou ser factível e segura, constituindo-se em uma opção válida para os pacientes sintomáticos com insuficiência mitral severa com risco proibitivo. Neste estudo, o procedimento alivia os sintomas, a insuficiência cardíaca e tem um potencial benefício sobre o remodelamento ventricular. No entanto, muitos pacientes apresentam fibrilação atrial (FA) e não foi bem analisada a evolução da reparação mitral percutânea neste grupo específico.

Neste estudo, analisaram-se 5.613 pacientes que receberam TMVR com MitraClip. Dentre eles, 3.555 apresentaram FA (63,3%).

 

Este grupo tinha uma média de idade mais elevada (80 ± 9 vs. 77 ± 11 anos) e estava constituído majoritariamente por homens (55% vs. 50%). Também se constatou mais AVC, deterioro da função renal, diálise, marca-passo definitivo, mais presença de insuficiência cardíaca CF III-IV, internações por insuficiência cardíaca, IAM e uma menor qualidade de vida. O escore STS de mortalidade também foi maior (/% vs. 5%; p < 0,0001).


Leia também: MitraClip “Off Label” com bons resultados.


O sucesso do procedimento foi similar em ambos os grupos, bem como a mortalidade hospitalar. No entanto, os pacientes do grupo FA permaneceram mais dias internados.

 

Após um ano de seguimento o grupo de pacientes com FA apresentou uma maior taxa de mortalidade ou internação por insuficiência cardíaca (hazard ratio [HR]: 1,27; 95% confidence interval [CI]: 1,11 a 1,44; p < 0,001). Os pacientes com FA apresentaram maiores taxas de mortalidade (HR: 1,44; 95% CI: 1,22 a 1,70; p < 0,001), internações por insuficiência cardíaca (HR: 1,17; 95% CI: 1,00 a 1,36; p = 0,05), AVC (HR: 1,63; 95% CI: 1,01 a 2,64; p = 0,047) e sangramento (HR: 1,34; 95% CI: 1,10 a 1,64; p = 0,004). Dentre os pacientes que apresentavam FA a taxa de AVC foi menor nos que se encontravam anticoagulados.

 

Conclusão

Dentre os pacientes que recebem reparação percutânea da valva mitral é comum a presença de fibrilação atrial, fato que se associa a uma pior evolução após um ano de seguimento apesar de os mesmos terem resultados similares no âmbito hospitalar. São necessários mais estudos abrangendo o tratamento precoce para reduzir a insuficiência mitral, minimizar o desenvolvimento da fibrilação atrial e identificar terapias que melhorem a evolução nestes pacientes.

 

Título original: The Prevalence and Impact of Atrial Fibrillation on 1-Year Outcomes in Patients Undergoing Transcatheter Mitral Valve Repair. Results From the Society of Thoracic Surgeons / American College of Cardiology Transcatheter Valve Therapy Registry.

Referência: Sameer Arora, et al. J Am Coll Cardiol Intv 2019;12:569–78


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