Confiabilidade do FFR em diabéticos: é necessário contar com outros pontos de corte?

A diabetes não parece mascarar os resultados da medição do fluxo fracionado de reserva (FFR) em uma determinada lesão. Porém, recentemente surgiram algumas opiniões de especialistas e trabalhos pequenos nos quais se questionou a confiabilidade do FFR neste subgrupo particular de pacientes. Este novo trabalho observacional que proximamente será publicado no JAMA dilucida algumas dúvidas e confirma a eficácia do método também em diabéticos. 

FFR en diabéticos

Conforme esta nova análise observacional do PRIME-FFR, o FFR é tão seguro para guiar a tomada de decisões em pacientes diabéticos quanto em não diabéticos.

Havia alguma incerteza sobre como a microcirculação reage à adenosina e sobre a possibilidade de ocorrência de um avanço mais acelerado da aterosclerose nas lesões que são diferidas nos pacientes diabéticos e, sem dúvida, ditas incertezas parecem menos preocupantes sob a luz da presente análise. 

Para esta análise, foram revisados os dados do PRIME-FFR que, por sua vez, combina os dados dos registros prospectivos multicêntricos: o POST-IT e o R3F. Em total se somaram 1.983 pacientes, dentre os quais um terço tinha antecedentes de diabetes. 


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O FFR foi medido em um 1,4 de lesões por paciente, observando-se os mesmos fatores de risco independentes para um FFR baixo, tanto em pacientes diabéticos como não diabéticos (idade, doença na artéria descendente anterior, porcentagem de estenose, comprimento da lesão e número de vasos doentes). 

Uma proporção similar de diabéticos e não diabéticos foram reclassificados pelo FFR de uma estratégia de revascularização para outra (41,2% e 37,5%, respectivamente; p = 0,13). 

Foi mais frequente que os pacientes diabéticos passassem de uma estratégia inicial de tratamento médico a outra de revascularização em comparação com os não diabéticos (41,5% vs. 31,5%; p = 0,001).


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Os eventos combinados (morte por qualquer causa, infarto ou revascularização não planejada) em um ano foram mais frequentes em diabéticos (11,3% vs. 9%). Dita taxa não variou entre os pacientes que foram reclassificados e os que não. 

Os pacientes cuja revascularização foi diferida com base em um resultado de FFR > 0,8 tiveram a mesma taxa de eventos, sem importar o fato de serem ou não diabéticos (8,4% vs. 7,9%; p = 0,87). 

Aqueles pacientes nos quais não se considerou o resultado do FFR para decidir a estratégia de revascularização tiveram quase o dobro de eventos que os outros (17,5% vs. 9,2%; p = 0,002).


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Levando em consideração a escassa evidência de que dispomos, este trabalho parece o melhor para dar-nos a tranquilidade necessária em relação à tomada de decisões com base no FFR, para além da glicemia de nossos pacientes. 

Título original: Usefulness of routine fractional flow reserve for clinical management of coronary artery disease in patients with diabetes.

Referência: Van Belle E et al. JAMA Cardiol. 2020; Epub ahead of print.


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