Evolução das valvas bicúspides em seguimento de 12 meses

A estenose aórtica severa em uma valva bicúspide (BAV) é pouco comum, especialmente em indivíduos de menos de 65 anos. Embora a cirurgia não costume apresentar maiores dificuldades em função do tipo de valva, no caso do TAVI poderiam surgir algumas diferenças significativas. 

válvulas bicúspides

O TAVI experimentou importantes avanços no que se refere ao tratamento da estenose em BAV. Sua progressão em alguns registros se assemelha ao ocorrido no caso das valvas tricúspides (TAV). Não se sabe, no entanto, se os diversos tipos de BAV mostram uma evolução similar. 

Foi levada a cabo uma análise de 1319 pacientes consecutivos submetidos a TAVI, dentro os quais 642 tinham TAV, 328 tinham BAV tipo 0 e 302 tinham BAV tipo I. 

O desfecho primário (DP) avaliado foi a morte por qualquer causa e o acidente vascular cerebral em 30 dias e em 1 ano. 

Devido às diferenças entre as populações, foi feito um propensity score match, ficando 121 pacientes em cada grupo. 

A idade média foi de 73 anos, 62% dos pacientes eram homens, o STS foi de 5,1%, 19% da população tinha diabetes, 45% tinha DPOC, 34% apresentava doença coronariana, 18% tinha sofrido um AVC e 15% tinha fibrilação atrial. 

Leia também: Utilização de IVUS em ATC complexa: resultados conforme a experiência do operador.

Na maioria dos casos foram implantadas válvulas autoexpansíveis. As complicações hospitalares foram similares entre os grupos. 

Não foram observadas diferenças significativas no grupo DP entre os grupos (6% vs. 2% vs. 2% para BAV tipo 0, tipo 1 e TAV). 

A mortalidade em 30 dias foi de 4,2% vs. 1,7% vs. 1,7%, respectivamente, e em 1 ano foi de 10%, vs. 2,3% vs. 6,2%. A incidência de AVC em 30 dias foi de 1% vs. 0,9% vs. 0% e em 1 ano foi de 1,4% vs. 1,6% vs. 1,3%. 

Leia também: Abordagem retrógrada em oclusões totais crônicas: técnicas e eventos segundo o registro PROGRESS-CTO.

A presença de um gradiente médio ≥ 20 mmHg foi maior nas BAV tipo 0. 

Conclusão

Os eventos clínicos maiores depois do TAVI na estenose aórtica em pacientes com valva aórtica bicúspide tipo 0, tipo 1 e em valva aórtica tricúspide foram equivalentes a curto e médio prazo durante o seguimento. As observações aqui plasmadas sugerem a necessidade de investigações futuras em registros prospectivos internacionais ou estudos randomizados. 

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Outcomes Following Transcatheter Aortic Valve Replacement for Aortic Stenosis in Patients With Type 0 Bicuspid, Type 1 Bicuspid, and Tricuspid Aortic Valves.

Referência: Jingjing He, et al. Circ Cardiovasc Interv. 2023;16:e013083. DOI: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.123.013083.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...

A durabilidade do TAVI com SAPIEN 3: dez anos de seguimento em pacientes com risco intermediário

A durabilidade das próteses biológicas transcateter utilizadas no TAVI continua sendo um dos principais interrogantes no que se refere à expansão dessa estratégia a...

Inflamação depois do TAVI: um objetivo terapêutico emergente?

Os distúrbios de condução e a necessidade de implante de marca-passo definitivo continuam sendo complicações frequentes após o TAVI, com uma incidência próxima de...

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...