Evolução da angioplastia coronariana segundo o SYNTAX II: acompanhamento de cinco anos

Já transcorreu bastante tempo desde a publicação do estudo SYNTAX (NEJM 2009), que comparou angioplastia coronariana transluminal percutânea (ATC) versus cirurgia de revascularização miocárdica (CRM). Nesse emblemático estudo, a ATC com stents eluidores de fármacos de primeira geração (Taxus) – comparados com CRM – se associou a uma maior quantidade de eventos cardiovasculares maiores (mortalidade por todas as causas, IAM, AVC ou qualquer revascularização – MACCE) no acompanhamento de 5 anos, o que implicou uma importante fonte de tomada de decisões para heart teams, orientados pelas recomendações e diretrizes. 

Evolución de la angioplastia coronaria según Syntax II: seguimiento a cinco años

Nesses 13 anos a tecnologia dos stents e os meios complementares associados a eles evoluíram consideravelmente. Exemplo disso é o uso da fisiologia coronariana com medição de iFR e FFR para evitar intervenções desnecessárias, bem como o uso de ecografia intravascular (IVUS) para guiar o implante de stents. 

Em 2017 foi publicado o SYNTAX II, cujo objetivo principal foi investigar se a incorporação de ditas tecnologias (iFR, FFR e IVUS), associada a uma correta seleção de pacientes, poderia melhorar os resultados da ATC em pacientes com doença de três vasos (excluindo-se pacientes com lesão de tronco da coronária esquerda) em comparação com uma coorte equivalente do estudo SYNTAX I. 

No novo estudo, recentemente publicado no European Heart Journal, foi relatado o acompanhamento de cinco anos no que se refere a seus desfechos clínicos. Cabe mencionar que o SYNTAX II incluiu pacientes com risco equiparável segundo o SYNTAX score II, elegíveis tanto para ATC quanto para CRM. 

Neste trabalho comparou-se a estratégia SYNTAX II (uso de iFR/FFR pré-intervenção e de IVUS pós-implante) contra uma coorte de ATC do SYNTAX e uma coorte emparelhada de CRM, também do SYNTAX. O desfecho primário foi uma combinação de MACCE, que incluiu nova revascularização. 

Leia também: Angioplastia coronariana guiada com IVUS: resultados alentadores no seguimento de 3 anos.

Em cinco anos, ao analisar o desfecho primário, a ocorrência de MACCE no SYNTAX II foi significativamente menor quando se compara a coorte ATC do SYNTAX (HR 0,54, IC 95% 0,41-0,71; p < 0,001), bem como a mortalidade por todas as causas (HR 0,57, IC 95% 0,37-0,90; p = 0,015). Nos desfechos secundários observou-se uma diminuição significativa de IAM espontâneo (2,3% vs. 6,9%; p = 0,004), nova revascularização em 5 anos (HR 0,56, IC 95% 0,39-0,78; p < 0,001) e trombose do stent (HR 0,25, IC 95% 0,10-0,64; p = 0,04). No que se refere à comparação com a coorte emparelhada equiparável de CRM do SYNTAX, não houve diferenças significativas em termos de MACCE em 5 anos (HR 0,87, IC 95% 0,64-1,17; p = 0,35).

CONCLUSÕES

A estratégia SYNTAX II se associou a uma diminuição significativa de MACCE, o que implica uma menor quantidade de revascularização, IAM espontâneo e menor índice de mortalidade. 

Isso demonstra que a incorporação de métodos complementares como o iFR, o FFR e o IVUS traz um benefício em pacientes com doença de três vasos que foram submetidos a ATC. Os resultados comparados com CRM do SYNTAX (coortes não contemporâneas), no qual não houve diferenças significativas, sugere uma hipótese que deve ser avaliada em novos estudos randomizados.

Dr. Omar Tupayachi

Dr. Omar Tupayachi.
Miembro del Consejo Editorial de SOLACI.org .

Título Original: Five-year outcomes after state-of-the-art percutaneous coronary revascularization in patients with de novo three-vessel disease: final results of the SYNTAX II study.

Fuente: Banning, Adrian P et al. European heart journal vol. 43,13 (2022): 1307-1316. doi:10.1093/eurheartj/ehab703.


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