Reestenose intrastent: Balão com droga ou stent farmacológico?

Título original: Long-Term Results of Everolimus-Eluting Stents Versus Drug-Eluting Balloons in Patients With Bare-Metal In-Stent Restenosis 3-Year Follow-Up of the RIBS V Clinical Trial.

Referência: Alfonso F. et al.  JACC Cardiovasc Interv. 2016 Jun 27;9(12):1246-55.

 

Gentileza do Dr. Agustín Vecchia.

 

Seguimento de 3 anos do RIBS V

reestenose intrastentA colocaçao de stent se estabeleceu como o padrão de tratamento para quase todas as intervenções coronárias percutâneas. No entanto, na atualidade, o tratamento da reestenose nessas plataformas tornou-se motivo de grande debate.

O objetivo deste trabalho foi comparar a eficácia a longo prazo dos stents eluidores de everolimus (EES) e dos balões eluidores de fármacos (DEB) em pacientes com stents convencionais (BMS) e reestenose intrastent.

Foram randomizados 189 pacientes com reestenose do BMS a tratamento com EES (n = 94) ou DEB (n = 95). Realizou-se um seguimento clínico com um ano, dois anos e três ano na totalidade dos pacientes. Observou-se que os pacientes tratados com EES tiveram melhores resultados angiográficos que aqueles tratados com DEB (diâmetro luminal tardio que foi o desfecho primário do estudo; 2,36 ± 0,6 mm vs. 2,01 ± 0,6 mm; p < 0,001).

No terceiro ano, os dois grupos tiveram resultados similares em:

 

– Mortalidade cardiovascular:

EES: 2%

DEB: 1%

– Taxa de IAM:

EES: 4%

DEB: 5%

– E revascularização do vaso alvo:

EES: 9%

DEB: 5%

Um fato a destacar é que a taxa de revascularização da lesão alvo (TLR) foi significativamente menor no ramo EES (2% vs. 8%; p = 0,04; HR: 0,23; 95% IC: 0,06 a 0,93).

A necessidade de revascularização tardia (para além de um ano) do vaso alvo (3 [3,2%] vs. 3 [3,2%]; p = 0,95) e da lesão alvo (1 [1%] vs. 2 [2,1%]; p = 0,54) foram baixas e similares em ambos os grupos.

A taxa de trombose definitiva ou provável do stent (1% vs. 0%) foi baixa e similar em ambos os grupos.

 

Conclusão

Os autores concluem que o estudo confirma a segurança e a eficácia a longo prazo de ambos os tratamentos e que os stents eluidores de everolimus reduzem a necessidade de novas revascularizações a longo prazo.

 

Comentário editorial

Em estudos prévios que compararam DEB e DES de primeira geração (PEPCAD II, ISAR-DESIRE 3 PEPCAD China) já havia sido provada a eficácia do DEB para o tratamento da ISR em comparação com estes últimos. Recentemente, Siontis e col1. publicaram na Lancet uma metanálise de todos os tratamentos disponíveis (27 estudos, 5.923 pacientes) que demonstrou que ambas as estratégias eram seguras e efetivas e que o EES tinha mostrado os melhores resultados, embora a comparação direta entre EES e DEB não tenha mostrado diferenças significativas. No seguimento de um ano do presente trabalho havia sido registrado um maior diâmetro luminal mínimo na angiografia realizada durante o primeiro ano2.

Na presente publicação, Alfonso e colaboradores contribuem com novos dados para esclarecer estas diferenças. Como principal resultado, constatam que durante o primeiro ano diminuem significativamente as TLR no grupo EES, sem haver sido contatado modificação do IAM, da mortalidade ou da TVR. A partir do primeiro ano, ambos os tratamentos tiveram desempenhos similares.

Em conclusão, ambas as estratégias são seguras e efetivas para manejar a ISR nos BMS e, apesar do muito baixo número de eventos, o EES parece estar associado a menor taxa de TLR durante o primeiro ano de seguimento, diferença que se mantém sem incremento até os 3 anos.

Algumas das vantagens teóricas dos BED são uma menor necessidade de DAPT e o fato de evitar uma segunda capa metálica sobre vasos laterais subjacentes. Ainda falta muito por esclarecer com respeito ao fenômeno da ISR e à escolha, portanto, é complexa e deve ser individualizada em cada paciente. Finalmente e até agora com pouca evidência, talvez as vantagens teóricas das plataformas reabsorvíveis lhes gere um lugar para esta terapêutica.

 

1: Percutaneous coronary interventional strategies for treatment of in-stent restenosis: a network meta-analysis George C M Siontis, Giulio G Stefanini, Dimitris Mavridis, Konstantinos C Siontis, Fernando Alfonso, María J Pérez-Vizcayno, Robert A Byrne, Adnan Kastrati, Bernhard Meier, Georgia Salanti, Peter Jüni, Stephan Windecker Lancet 2015; 386: 655–64

2: A Randomized Comparison of Drug-Eluting Balloon Versus Everolimus-Eluting Stent in Patients With Bare-Metal Stent–In-Stent Restenosis The RIBS V Clinical Trial (Restenosis Intra-stent of Bare Metal Stents: Paclitaxel-eluting Balloon vs. Everolimus-eluting Stent). Journal of the American College of Cardiology Vol. 63, No. 14, 2014

 

Gentileza do Dr. Agustín Vecchia. Hospital Alemán, Buenos Aires, Argentina.

 

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