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Dupla antiagregação plaquetária pós-PCI com EES: 6 ou 12 meses?

Título original: 6-Month Versus 12-Month Dual-Antiplatelet Therapy Following Long Everolimus-Eluting Stent Implantation. The IVUS-XPL Randomized Clinical Trial.

Referência: Hong et al. JACC Cardiovasc Interv. 2016 May 11. [Epub ahead of print].

 

Gentileza Dr. Brian Nazareth Donato. 

 

Dupla antiagregação plaquetária pós-PCI

Esta publicação deriva do estudo IVUS-XPL publicado em JAMA em novembro de 2015. No presente estudo foram apresentados os resultados referentes à segurança da utilização da dupla antiagregação plaquetária (DAPT) durante somente seis meses vs. doze meses após a angioplastia coronária com stents eluidores de everolimus (Xience Prime) em lesões longas.

Com um desenho fatorial 2 x 2, foram analisados um total de 1.400 pacientes que se trataram entre junho de 2010 e julho de 2014 em vinte centros da Coréia que foram randomizados a receber seis vs. doze meses de DAPT (AAS + clopidogrel) e angioplastia guiada somente por angiografia vs. angioplastia guiada por ultrassom intravascular (IVUS).

O desfecho primário foi a combinação de morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, trombose do stent e sangramento maior.

  • O grupo de DAPT por seis meses apresentou uma taxa de eventos de 2,2 %.
  • O grupo de DAPT por doze meses apresentou uma taxa de 2,1 %.

[p = 0,99]

Tampouco foram registradas diferenças estatisticamente significativas nos subgrupos que se apresentaram no início da randomização:

  •  Síndromes coronárias agudas (SCA), com uma taxa de 2,4 % em ambos os braços do estudo.
  • Pacientes diabéticos, com uma taxa de 2,2% de eventos no grupo de seis meses frente a 3,3% no de 12 meses.

[p = 0,42]

Na análise pós hoc observou-se uma interação significativa (p = 0,018) entre o uso de IVUS e o tempo de DAPT, com maior evolução dos pacientes do grupo IVUS e DAPT de seis meses, provavelmente pelo fato de a otimização do stent conduzir a igual quantidade de eventos isquêmicos com menor taxa de sangramento.

 

Conclusão

O tratamento com dupla antiagregação plaquetária durante somente seis meses não mostra diferenças em morte cardíaca, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, trombose do stent ou sangramento maior em comparação com o tratamento padrão de 12 meses naqueles pacientes submetidos a angioplastia coronária com stents eluidores de everolimus.

 

Comentário editorial

Atualmente os guias da AHA continuam recomendando o uso de DAPT por um ano após a realização de angioplastia com DES, recomendação diferente da dos guias europeus para aqueles pacientes submetidos a angioplastia com DES de segunda geração em casos de doença coronariana estável.

No entanto, os estudos bem desenhados que determinam a duração ótima da DAPT após a implantação de stents farmacológicos são contraditórios e com diferenças na evolução entre stents de primeira e segunda geração, incluindo, em geral, lesões pouco complexas.

O presente estudo é um novo aval rumo a uma DAPT menos extensa no tempo, neste caso em lesões longas, sempre com utilização de stents eluidores de everolimus. As maiores limitações do estudo são duas: por um lado, a pouca potência estatística devido à muito baixa taxa de eventos. Por outro, a não utilização de placebo para além dos 6 meses.

A afirmação acerca de que a utilização de ultrassom intravascular pode reforçar a boa evolução de pacientes com DAPT menos prolongada deve ser considerada com cuidado já que se trata de uma análise de subgrupos em um estudo com muito baixa taxa de eventos, embora esteja em concordância com os resultados do mesmo estudo publicados em novembro de 2015.

 

Gentileza Dr. Brian Nazareth Donato.  Hospital Britânico de Buenos Aires, Argentina.

 

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